Se existe um prato que define a alma paulista, esse prato é o Virado. Mas o que muitos não sabem é que essa iguaria, reconhecida como Patrimônio Imaterial do Estado de São Paulo desde 2018, tem suas raízes profundamente ligadas à nossa região. Jundiaí, historicamente conhecida como a ‘Porta do Sertão’, foi ponto estratégico para as expedições de bandeirantes e tropeiros, e foi justamente nesse vaivém de viajantes que a receita se consolidou.

O nome ‘virado’ surgiu da técnica de misturar o feijão com a farinha de milho ou mandioca durante o transporte. Com o sacolejar dos cavalos e mulas, os ingredientes se misturavam (ou ‘viravam’) dentro dos farnéis, criando uma massa nutritiva que resistia ao tempo e ao calor das trilhas. Hoje, a tradição das segundas-feiras nos restaurantes da nossa cidade mantém viva essa herança.

Para preparar um autêntico Virado à Paulista com o toque jundiaiense, você vai precisar de feijão carioca (cozido e com caldo), farinha de milho, cebola, alho, bacon e banha de porco. O segredo está em refogar os temperos na gordura, adicionar o feijão e ir vertendo a farinha aos poucos até atingir a consistência de um tutu firme, porém úmido.

Os acompanhamentos são sagrados: arroz branco, uma bisteca de porco suculenta, linguiça frita, ovo frito (com gema mole, de preferência), couve picadinha refogada no alho e a indispensável banana frita. É um banquete de texturas e sabores que conta a história da nossa terra em cada garfada.