A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quarta-feira (15 de abril de 2026) a Operação Narco Fluxo, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa investigada por movimentar mais de R$ 1,6 bilhão em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas. A ação teve desdobramentos diretos na região de Jundiaí, resultando na prisão de influenciadores digitais.
Em Jundiaí, o influenciador digital Matheus Magrini foi preso enquanto estava em uma residência pertencente ao funkeiro MC Ryan SP. De acordo com as investigações, Matheus é irmão por parte de mãe do cantor e filho de Eduardo Magrini, conhecido como ‘Diabo Loiro’, que já havia sido detido em outubro do ano anterior por envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro para traficantes.
A operação também cumpriu mandados na cidade vizinha de Itupeva, onde o influenciador Chrys Dias e sua esposa, Débora Paixão, foram presos em uma mansão. Chrys Dias atua no meio artístico e se apresenta como empresário ligado a MC Ryan SP. O 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) de Campinas prestou apoio tático no cumprimento dos mandados na região.
No cenário nacional, a Operação Narco Fluxo cumpriu 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em dez estados e no Distrito Federal. Entre os detidos estão figuras de grande projeção na internet e na indústria musical, como o próprio MC Ryan SP, preso no litoral paulista, o funkeiro carioca MC Poze do Rodo, detido no Rio de Janeiro, e Raphael Sousa Oliveira, criador da página de entretenimento ‘Choquei’.
Segundo a Polícia Federal, o grupo utilizava o chamado ‘escudo de conformidade’, valendo-se da projeção artística, do alto engajamento nas redes sociais e de empresas de entretenimento para mascarar a origem ilícita dos recursos. O esquema envolvia o uso de plataformas de apostas (bets), rifas digitais, transações com criptomoedas (especialmente USDT) e transporte de dinheiro em espécie. Há indícios de que a estrutura financeira operava em benefício de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os investigados poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A Justiça Federal também determinou o sequestro de bens, incluindo imóveis e veículos de luxo, além do bloqueio de contas e restrições societárias para interromper as atividades do grupo.



