A recente atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir a identificação e o gerenciamento dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho, trouxe um novo desafio para as empresas brasileiras, com reflexos diretos no forte polo corporativo e industrial de Jundiaí. O novo texto normativo obriga as organizações a incorporarem a saúde mental à gestão de pessoas e à prevenção de riscos ocupacionais.
Embora a discussão nas empresas jundiaienses esteja frequentemente voltada aos colaboradores, especialistas alertam que é preciso ampliar esse olhar. Sameila Brandão, CEO da DVZ Consultoria, destaca a necessidade de considerar também a saúde emocional dos empresários e gestores, que convivem diariamente com pressões muitas vezes invisíveis.
“Quando falamos de saúde mental no ambiente corporativo, é comum que toda a atenção seja direcionada aos funcionários. Isso é fundamental, mas não podemos esquecer que os empresários também enfrentam altos níveis de estresse, ansiedade e sobrecarga emocional. São eles que carregam a responsabilidade pela sustentabilidade do negócio, pela geração de empregos e pela tomada de decisões em cenários muitas vezes desafiadores”, afirma a especialista.
No dinâmico cenário de negócios de Jundiaí e região, o empreendedor frequentemente acumula funções. Segundo Sameila, lidar com questões financeiras, gestão de equipes, cumprimento de metas, burocracias e mudanças constantes na legislação são fatores que podem impactar diretamente o bem-estar psicológico de quem está no comando.
“Existe uma percepção equivocada de que o empresário precisa estar sempre forte, preparado e disponível. Na prática, ele também está sujeito ao esgotamento, ao cansaço emocional e aos impactos da pressão contínua. Cuidar da saúde mental dentro das organizações passa também por reconhecer a vulnerabilidade de quem está à frente delas”, destaca.
Para a especialista, a atualização da NR-1 abre espaço para uma reflexão mais ampla sobre a construção de ambientes de trabalho saudáveis para todos os envolvidos no ecossistema empresarial.
“A saúde mental não pode ser tratada como uma responsabilidade exclusiva do trabalhador ou da empresa. Trata-se de um compromisso coletivo. Quando líderes e empresários estão emocionalmente sobrecarregados, isso inevitavelmente reflete na cultura organizacional, nas relações de trabalho e até nos resultados do negócio”, explica.
Sameila ressalta que promover um ambiente saudável exige equilíbrio, diálogo e apoio em todos os níveis da organização. “Empresas saudáveis são construídas por pessoas saudáveis. Isso inclui colaboradores, gestores e empresários. A NR-1 nos convida a olhar para a saúde mental de forma mais humana, compreendendo que o bem-estar deve alcançar todos aqueles que fazem parte da organização”, conclui.