A decisão da Prefeitura de Jundiaí de suspender a aprovação de novos empreendimentos imobiliários por 180 dias, oficializada pelo decreto municipal nº 36.360 de 11 de junho de 2026, gerou forte reação do setor produtivo local. A medida, adotada pelo prefeito Gustavo Martinelli em atendimento a uma recomendação do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), tem como objetivo promover uma avaliação técnica sobre a capacidade de suporte da infraestrutura urbana da cidade. No entanto, a Associação de Empresas e Profissionais do Setor Imobiliário de Jundiaí e Região (Proempi) alerta para os graves impactos econômicos e sociais da paralisação.
De acordo com nota oficial divulgada pela Proempi, a suspensão afeta diretamente uma extensa cadeia produtiva que engloba engenheiros, arquitetos, fornecedores e profissionais da construção civil. A entidade destaca que o setor é responsável por quase 10 mil postos de trabalho formais no município, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). A associação manifestou preocupação com a geração de empregos, a oferta habitacional e a confiança dos investidores, ressaltando que o mercado imobiliário opera com planejamentos de longo prazo.
Especialistas do setor imobiliário local preveem que a restrição na oferta de novos imóveis poderá provocar uma disparada nos preços das unidades já disponíveis ou em construção. Além disso, há a expectativa de queda na arrecadação de impostos municipais e redução na circulação de capital no comércio e no setor de serviços de Jundiaí. A Proempi defende a necessidade de um diálogo aberto e técnico entre o Ministério Público, a Prefeitura e as empresas para mitigar os danos à economia local.
O contexto da suspensão remonta a um inquérito civil instaurado em 9 de junho de 2026 pela promotora Luciane Rodrigues Antunes. O MPSP apura a eficácia e a legalidade do modelo de expansão urbana de Jundiaí, questionando a aprovação de projetos sem a devida análise de impactos cumulativos e de capacidade de suporte territorial. Um dos estopins para a recomendação foi a expedição de alvará para um empreendimento de 151 unidades habitacionais sem a conclusão técnica dos projetos de drenagem e terraplenagem exigidos pelo Plano Diretor.
A Prefeitura de Jundiaí, por sua vez, argumenta que a pausa não representa uma interrupção do desenvolvimento econômico, mas uma ação de responsabilidade para garantir que o crescimento ocorra com segurança jurídica, mobilidade adequada e preservação dos recursos hídricos. Durante o período de 180 dias, a administração municipal se comprometeu a abrir diálogo com representantes da construção civil e entidades técnicas para construir soluções conjuntas.