O volume de consumidores com dívidas a vencer atingiu uma nova máxima histórica em abril de 2026, alcançando 80,9% das famílias brasileiras, um cenário econômico que reflete diretamente na realidade de Jundiaí e região. Os dados foram apurados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), por meio da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), e repercutidos pelo Jornal da Região neste final de semana.
O índice atual representa o quarto mês consecutivo de alta, superando o recorde anterior de 80,4% registrado em março e apresentando um avanço expressivo em comparação aos 77,6% observados em abril de 2025. Esse cenário de alerta ocorre em um momento de mobilização do setor público, que articula o programa Desenrola 2.0 para tentar conter a crise de liquidez nos lares.
De acordo com José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, os indicadores reforçam a urgência de debater o custo do crédito no país. A principal modalidade de dívida continua sendo o cartão de crédito, que possui os maiores juros da economia, seguido pelos carnês de loja e pelo crédito pessoal.
Inadimplência e atrasos
Apesar do aumento no número total de endividados, a taxa de inadimplência apresentou relativa estabilidade. O percentual de famílias com contas em atraso ficou em 29,7% em abril, levemente acima dos 29,1% registrados no mesmo período do ano passado. O índice de consumidores que declararam não ter condições de quitar suas dívidas permaneceu em 12,3% pelo segundo mês consecutivo.
Entre os inadimplentes, quase metade (49,5%) relatou possuir débitos vencidos há mais de 90 dias. O tempo médio de atraso estabilizou-se em 65,1 dias, o que, segundo a CNC, reflete uma leve melhora na renda média, auxiliando na regularização financeira de curto prazo.
Perspectivas para os próximos meses
As projeções da pesquisa indicam que o endividamento deve continuar subindo no próximo mês, impulsionado pelo comportamento da inflação em itens essenciais, como energia e combustíveis. Além disso, a expectativa do mercado de que a taxa de juros caia menos do que o previsto até o final do ano sugere que os níveis de endividamento se manterão elevados por um período prolongado, exigindo cautela redobrada dos consumidores de Jundiaí e região na hora de contrair novos empréstimos.