A movimentação de parlamentares durante a janela partidária, período em que deputados podem trocar de legenda sem perder o mandato, gerou um clima de insatisfação entre o União Brasil e o Partido Liberal (PL). O União Brasil registrou a perda de oito deputados federais, enquanto o PL, sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro, viu sua bancada crescer com a adesão de dez novos membros.
Integrantes da cúpula do União Brasil expressaram descontentamento com a postura do PL, acusando o partido aliado de atrair quadros que ganharam protagonismo no Congresso Nacional graças aos espaços cedidos pelo próprio União Brasil. Entre os parlamentares que migraram para o PL estão Mendonça Filho (PE), relator da PEC da Segurança; Alfredo Gaspar (AL), relator da CPMI do INSS; e Rodrigo Valadares (SE), relator da primeira versão do projeto da anistia.
A principal queixa do União Brasil é ter servido como uma espécie de ‘barriga de aluguel’ para esses deputados, que se beneficiaram de posições de destaque nas comissões e relatorias para, em seguida, mudarem de partido. Um integrante da cúpula do União Brasil, em caráter reservado, resumiu o sentimento: ‘Quem quer aliança não pesca dentro do aquário’.
O caso de Alfredo Gaspar é citado como um exemplo emblemático. O deputado foi escolhido para compor a CPMI do INSS na vaga destinada ao União Brasil. Com sua ida para o PL, Gaspar pode se tornar um adversário da federação União-PP em Alagoas, o que pode impactar as articulações políticas locais, incluindo a possível candidatura de Arthur Lira (PP-AL) ao Senado.
Apesar do encolhimento da bancada, que passou de 59 para 51 deputados, o União Brasil avalia que a perda já era esperada devido à federação com o PP. O partido mantém uma projeção otimista para as eleições de outubro, estimando eleger entre 60 e 70 deputados federais. Somando esse número aos eleitos pelo PP, a meta da federação é ultrapassar a marca de 100 parlamentares na Câmara dos Deputados.
Mesmo com o atrito gerado pela janela partidária, a tendência atual do União Brasil é apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência, especialmente após a desfiliação de Ronaldo Caiado, que migrou para o PSD. No entanto, o partido argumenta que esse provável apoio deveria ter inibido as investidas do PL sobre seus parlamentares.