Jundiaí se prepara para as eleições de 2026 com um cenário político marcado por uma ampla lista de pré-candidatos aos cargos de deputado federal e estadual. A movimentação de diferentes partidos e grupos locais evidencia a força política do município, mas também expõe o desafio histórico de converter seu peso econômico e eleitoral em representação direta na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Historicamente, a cidade enfrenta um duplo obstáculo: a abstenção e a dispersão de votos. Dados de pleitos anteriores indicam que cerca de 20% dos eleitores não comparecem às urnas, enquanto aproximadamente 30% dos votos válidos são destinados a candidatos de fora, sem vínculo orgânico com Jundiaí ou com a Região Metropolitana (RMJ). Na prática, quase metade da força eleitoral do município se dilui antes mesmo do início oficial das campanhas.
Para a Câmara dos Deputados, o cenário atual aponta nomes como Luiz Fernando Machado (PL), Alexandre Pereira (Solidariedade), Antonio Carlos Albino (Novo), Ellen Camila Martinelli (União Brasil), Felipe Pinheiro (Rede), Cristiano Lopes (PP), Romildo Antonio (PDT) e Silas Feitosa (MDB). A diversidade de legendas indica uma disputa intensa que atravessa diferentes campos políticos.
Já na corrida por uma cadeira na Alesp, figuram pré-candidatos como Edicarlos Vieira (União Brasil), Pedro Bigardi, Leandro Basson (PL), Dika Xique-Xique (Podemos), Cintia Vanessa (PSOL/Rede), João Paulo (PL), Rita Passos (Republicanos) e Danilo Joan (PSD). A consolidação dessas candidaturas ainda depende das convenções partidárias, que definirão as alianças e as chamadas dobradas eleitorais.
O principal desafio das lideranças locais será convencer o eleitorado sobre a importância do voto regional para garantir avanços em áreas como saúde, mobilidade, segurança, habitação e infraestrutura, além da captação de emendas parlamentares. Contudo, a fragmentação de candidaturas com bases eleitorais semelhantes pode dividir os votos e repetir cenários anteriores de baixa representatividade efetiva.
Até as convenções partidárias, o quadro político de Jundiaí permanece em articulação. Os partidos ainda podem recuar, trocar nomes ou priorizar candidaturas com maior estrutura. O questionamento que guiará o debate até outubro é se a cidade conseguirá unir forças para eleger representantes próprios ou se verá, novamente, parte de seus votos migrar para candidaturas sem compromisso direto com a região.